Sexualidade Feminina

Ao se preocupar com sua sexualidade, ou seja, com o conjunto dos fenômenos de sua vida sexual, a mulher deve estar atenta a ciclicidade natural que caracteriza a sua feminilidade (conjunto de fatores: físicos, emocionais e sociais que caracterizam o ser humano do sexo feminino).
A feminilidade tem como base os ciclos lunares em concordância com o cosmos. Uma mulher menstrua porque esse é um dos componentes do seu gênero. Praticamente tudo é cíclico em sua vida.
Conhecer e aceitar esta ciclicidade é a atitude mais inteligente para viver a sexualidade com plenitude, pois sabendo em que momento do ciclo se encontra e como seu emocional responde a ele, a mulher pode vivenciar com mais prazer as relações sexuais, o cuidado com os filhos, a criatividade para achar soluções no trabalho, o desejo de querer gastar com sua aparência e pequenas vaidades, a gravidez, a amamentação, assim como entender sua TPM, seu climatério, sua menopausa e todas as suas conseqüências físicas e emocionais, sem se sentir culpada ou diminuída.
Justamente por estar sujeita a essa ciclicidade, a mulher consegue ser mais criativa e ter mais jogo de cintura em casa, no trabalho, na política. Ter uma visão reducionista da ciclicidade feminina, transformando-a num estorvo ou num simples processo orgânico, é ignorância. A mulher é muito diferente do homem no seu funcionamento físico, psíquico e emocional, porém como o pensar masculino racional, competitivo, pragmático dominou e domina o mundo ocidental desde a instituição do judaísmo, há mais ou menos 6 mil anos, essas diferenças sempre foram tratadas como problemas do gênero feminino e consideradas com descaso e preconceito, levando as próprias mulheres a distanciarem-se da sua dinâmica natural.
Por muito tempo a mulher foi proibida de ter acesso a informações, expressar suas emoções e opiniões. Fazer sexo além de pecaminoso era sujo e lascivo; sentir prazer era proibido e os genitais femininos eram considerados a fonte de todos os pecados do mundo. À menstruação eram atribuídos poderes malignos: a mulher menstruava por um castigo divino e, reduzida a um ser inferior que estava na terra para procriar, foi condenada a dar a luz com dor, suor e lágrimas.
Com esses paradigmas absurdos que predominaram na sociedade ocidental até o final do século XIX, a mulher foi obrigada a não olhar para si, não se perceber, não se tocar, não se conhecer, não valorizar sua feminilidade e até mesmo a abominar e se envergonhar da sua ciclicidade física e emocional.
Muita coisa mudou desde que a mulher do início do século XX passou a ter acesso às informações. Pode-se dizer que ocorreu uma revolução em todos os campos da feminilidade. A cada nova geração a mulher menstrua mais cedo, cairam vertiginosamente as taxas de natalidade e a expectativa de vida feminina passou a ser de 75 anos.
Nas décadas de 1930 e 1940, principalmente com a Segunda guerra Mundial, enquanto os homens foram para a guerra, as mulheres ficaram com os filhos, tendo de cuidar da sua sobrevivência. Começam assim, a trabalhar nos postos antes ocupados por seus maridos, os quais em sua grande maioria não retornaram, pois foram mortos nos campos de batalha. Com isso, coube às mulheres grande parte da reconstrução das cidades destruídas, o que propiciou a elas uma mudança de paradigma, ou seja, do estado de cooperação e submissão em que se encontravam há séculos para o de competição, vivido até hoje no mundo ocidental.
Essa mudança de paradigma fez o organismo feminino ser mais solicitado em tarefas até então desconhecidas, ou pelo menos diferentes daquelas às quais a mulher estava acostumada. Descargas de adrenalina passaram a ser uma constante no cotidiano feminino. Hoje, sabemos que altos níveis de hormônios como a adrenalina e o cortisol são responsáveis pelo que conhecemos como “estresse”, causando Alterações bioquímicas, psicológicas e, principalmente, hormonais importantíssimas, boas e más; como a pré disposição à várias doenças.
A Feminilidade é uma com equilíbrio hormonal e outra quando os hormônios estão alterados. A relação entre o equilíbrio fisiológico e as emoções é delicada e muitas das dificuldades com a sexualidade talvez sejam decorrentes de alterações na feminilidade como é vivenciada em nossos tempos.
Um exemplo simples de desequilíbrio hormonal é a famosa e inconveniente TPM, a tensão pré-menstrual, quase desconhecida e pouco valorizada há menos de 50 anos pelos médicos que cuidavam da saúde feminina. E ela acontece porque há o conceito de conflito hormonal surgindo. O organismo feminino levado pelo lado racional tão condicionado ao pensar masculino força-se a ignorar a ciclicidade inerente ao gênero feminino. O corpo reage provocando um desequilíbrio na harmonia hormonal e causando aqueles sintomas desmoralizantes que pelo menos 50% da população feminina conhece bem: depressão, ansiedade, irritação e outros sintomas físicos como inchaços e dores de cabeça. O lado emocional sofre com isso já que a TPM, um distúrbio clínico, passou a ser sinônimo de mais uma falha do corpo feminino.
Uma coisa precisa ficar clara para todas as mulheres: o corpo feminino não tem falhas só pelo fato de ser feminino; ele obedece a sua natureza biológica que é cíclica, ou seja, sofre mudanças constantes e suas alterações hormonais são praticamente semanais durante os ciclos menstruais. Além desse, existem outros diferentes ciclos como os da adolescência (pré-menarca, ou seja, antes da primeira menstruação), gravidez, amamentação, climatério e menopausa; todos acompanhados de alterações físicas e emocionais diferentes e peculiares.
Depois da descoberta dos anticoncepcionais hormonais – que deram às mulheres a possibilidade de planejar, alterar seu ciclo menstrual e desfrutar da sua a sexualidade sem o risco de engravidar – a mais nova revolução nessa área é a TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL no climatério e menopausa, melhorando a libido, a pele, a lubrificação vaginal e a disposição das mulheres maduras assim como aumentando a expectativa e a qualidade de vida na terceira idade.
Além dos hormônios sintéticos já conhecidos e largamente usados e polemizados por causa dos seus efeitos colaterais, destacam-se atualmente os hormônios naturais, os FITOHORMÔNIOS. Muito divulgados pela mídia, vem sendo alvo de inúmeras pesquisas e bastante utilizados com respaldo científico e excelentes resultados clínicos.
Também são bem vindos os tratamentos com homeopatia, ortomolecular, acupuntura e psicanálise que ajudam no auto conhecimento, na auto estima, na conscientização do funcionamento do corpo e no equilibrio do organismo como um todo, para que as mulheres possam valorizar e vivenciar com maior prazer e liberdade a sua sexualidade.